r e t i c e n t e

mariana maielo . 19 . são paulo

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20080812

a ficção que escrevo vive dentro de mim,
mas eu não vivo (dentro d)a ficção que escrevo.

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20080720

a falta
dos dedos que levemente se entrelaçam aos seus. gostoso pensar na voz dele, namoraria suas cordas vocais. e os braços que a envolveriam depois, fortes e pesados. é preciso que sejam pesados. no rosto a cicatriz dele, vizinha ao olho esquerdo. quase obsessão por ela, senti-la nos meus lábios. do contraste entre nós, tão similares. intuição de que sejam macios os seus cabelos. assim como sua respiração sobre o meu pescoço, suave. um olhar que foge, enquanto ela esconde um sorriso que ele percebe, calma e subitamente, ser só seu. clandestino. mas não é preciso porque independente da distância tão pequena-extensa entre nós, já te conheço e te quero toda. sem metades ou prestações. inteira, de uma vez só, à vista; que já esperei demais. desse encontro de cores tão distintas, meu colorido castanho dos olhos, cabelos e idéias, tão diferente de seus tons pastéis, do seu verde linear. leva tudo: as barreiras, os muros e as portas. deixa só a ponte, instável, que eu atravesso até onde você está, onde quer que isso seja. ah, meu bem, como me dói a inexistência do seu toque. um momento desperdiçado que some, como um balão que uma criança perde num parque de diversões e sobe, sobe, sobe até o céu, até desaparecer. e resta essa mágoa intensa que finjo entender, mas não dá, porque há antes a encenação de que estou bem. enquanto meu balão pertence às nuvens, dizer "comigo tudo bem, e você?"
do desejo por você, pra você. mentira que aquilo que não vemos não possa nos machucar. mentira que aquilo que não temos não possa nos possuir por completo. mentira, mentira; mas nem nunca ouvi dizer que fosse verdade. nem nunca ouvi dizer. só vontade de dizer que é mentira. porque se a verdade me ferir, não haverá mais nada em que possa acreditar. e é preciso acreditar em algo, por menor, por mais banal que possa parecer, ter fé. não é? fui eu quem esperou demais, não você. esperamos todos e a partir de hoje, determino que esperar é crime. que calar é crime; contra nós mesmos. a não ser que sem som o corpo faça suas confissões, é pecado. é pecado não dizer, por palavras, por ações, aquilo que devemos dizer, que deve ser ouvido. ainda que acabe depois, que importa? sentir com sinceridade o direito de saber tudo. ainda que nada seja feito a respeito, ter conhecimento de que existiu. de que não foi só uma impressão, um cochilo no meio do dia que lhe anuviou as idéias, um gesto mal-interpretado.
e por que me olha assim agora? não, não. isso não é amor. isso não é um sonho. isso não é esperança. isso é um pensamento, isso é uma vontade, isso é um silêncio. esse é o meu silêncio.

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